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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O que Tupac diria se estivesse aqui vendo essa zoeira toda?



Quando li nesse artigo que alguém disse “Os negros precisam aceitar que o hip-hop é uma cultura contagiosa”, me surgiu na mente uma série de cantores, compositores, que lutaram tão arduamente para divulgar sua arte e que até ganharam uns trocados com ela, mas que quando a usurpação branca chegou, tomou de assalto o público, se tornando milionários com aquilo que não se tem capacidade intelectual de autenticidade.

O artigo da Carta Capital é uma crítica real sobre a apropriação branca sobre tudo o que envolve a cultura preta. Ignoram por um tempo, depois quando percebem que pode ser rentável... Já sabemos né?


"Em Fancy, Iggy Azalea imita o modo de falar de uma afro-americana, apesar de ser australiana e branca. Azalea atingiu o estrelato com Fancy, um rap, eleito pela revista Billboard a música do verão de 2014 nos Estados Unidos. E causou polêmica. Ela, dizem os críticos, seria o exemplo mais recente de apropriação cultural pelos brancos de uma arte que os negros inventaram. O anúncio de Fancy como o hit da estação mais quente se deu em paralelo aos protestos em Ferguson, no Missouri, onde um policial branco matou um afro-americano desarmado em 9 de agosto. “A cultura negra é popular, mas as pessoas negras não”, declarou o poeta B. Easy no Twitter. Easy fez coro com um estado de espírito comum nas mídias sociais quando se referiu ao fato de artistas pop, como Azalea, Miley Cyrus, Ariana Grande, Katy Perry, Justin Timberlake, Justin Bieber e Robin Thicke, usarem elementos do hip-hop a fim de angariar popularidade.
Para os admiradores, Azalea é uma evolução. “Os negros precisam aceitar que o hip-hop é uma cultura contagiosa”, afirmou Questlove, baterista do The Roots, em entrevista à Time. “Fancy é, de todas as músicas que ouvi, a mais capaz de mudar o jogo, pois nos força a compreender que o gênero abriu as suas asas.” Questlove lembrou com essa afirmação como o rap é indissociável das experiências de raça e classe no meio urbano. Apesar de a eleição de Barack Obama à Presidência dos EUA, em 2008, ter estimulado a previsão de “uma era multicultural” ou “pós-racial”, o entendimento do país sob uma perspectiva que prioriza a cor de pele é um dos hábitos mais recalcitrantes da sociedade norte-americana...".
 
 

Isso também é uma forma de exploração. E a prova factual que a supremacia branca sempre existiu e sobrevive nos dias atuais, com inúmeras vestimentas. Mas identificamos todas elas. A diferença de aceitação preta do ritmo, musicalidade e letra, isso numa visão minimalista de um problema que tem reflexo em inúmeras outras áreas da vida social, comparando quando um branco vai lá e faz “igual” configura na manutenção das investidas para se manter a ideia de uma pseudo-superioridade intelectual... Que na boa? Não existe.

Vamos odiar e marginalizar o que o preto faz. Mas depois a gente faz igual e ganha dinheiro em cima disso.

Que a gente se conscientize cada vez mais que, estamos aqui desde a criação do mundo e que está mais do que na hora de começarmos a fazer isso também. A supremacia negra também há de existir.

“A cultura negra é popular, mas as pessoas negras não”, declarou o poeta B. Easy no Twitter. 
A frase mais verdadeira que li nesses últimos tempos.

Alessandra de Mattos

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