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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Carta aberta ao amor...

Por: Vitoria de Moura.

Escrever sobre o amor... Desconfio de quem tentou e não ficou preso em uma mesma frase por pelo menos 10 minutos. Torna-se difícil e fácil ao mesmo tempo, gostoso e doloroso... Ah... Amor! Admiro muito a complexidade do teu ser. Espertinho... Se fosse simples, não estaria presa nesta metalinguagem sobre como começar a descrever você. 

Concedo-me a liberdade de livrar-me das amarras linguísticas e rebuscamento literário, manterei o texto simples, pois quero focar em você, amor. 



Todos nós precisamos de você, queremos te sentir. Uma pena que tenha se esvaído tão rapidamente com o passar dos anos. Focando na minha realidade, te trarei para o meu espaço, sob as minhas concepções, meu universo de mulher preta. É trágico ver o número de relacionamentos inter-raciais sem a tua presença, amor, apenas com o intuito de apagar nossas características, ou de consumar uma vitória nas relações. É trágico ver pretos e pretas com este infeliz pensamento. 

Falar sobre a importância do amor afrocentrado não proíbe nem restringe o seu direito de se relacionar com quem bem entender... Se está interpretando deste jeito... Tenho más notícias para você. Amor afrocentrado é a manifestação carnal de resistência, um aviso para a sociedade racista de que estamos aqui, deixaremos descendentes, e que não estamos nada satisfeitos com o jeito que as coisas andam para com o povo preto.

Amor afrocentrado é voltar ao lugar de origem, como um viajante retornando ao lar, é amar seus traços refletidos no outro, é aconchego e conforto. Não me atrevo a tentar descrever-te, amor, porém sentir-se seguro faz parte de ser amado.

Portanto, preto (a), ame sua preta (a), beije-a em praça pública! Na rua, na escada, sob sol, sob chuva! Devore-a com o olhar. Encante-se com os cabelos crespos, com o nariz, com o corpo, com todas as linhas que compõem a silhueta da mesma. Demonstre o seu amor, não contenha-se quando necessitar expressá-lo.  

Retorno-te a ti, amor. Com o profundo desejo de ver-te florescer em minha comunidade. Para pararem de ver o afrocentrado como obrigação, e sim como continuidade. Beije, ama, prossiga. "Simbora" afrocentrar!