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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Hattie McDaniel - Hollywood - EUA


Recebemos uma homenagem lindíssima, de uma página no Facebook, que trata sobre fatos históricos tendo como participantes ativos, o nosso povo. Amo de paixão esta página pelo fato dela nos proporcionar o conhecimento que nos foi tirado. É importante que tenhamos base e referência
Deixo aqui os meus parabéns a idealizadora e toda equipe que forma História Preta - Fatos & Fotos.
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HOMENAGEM À PAGINA CO-IRMÃ - PRETA&GORDA



HATTIE McDANIEL - Hollywood - EUA


Primeiro intérprete negro a ganhar um Oscar - Melhor atriz coadjuvante pelo filme "... E o Vento Levou"

Hattie McDaniel nasceu em Wichita no dia 10 de junho de 1895. Seu pai, Henry McDaniel, um pastor da Igreja Batista, tinha nascido sob a condição de escravo, visto que a avó de Hattie tinha sido escrava de um grande latifundio em Virgínia. Sua mãe, Susan Holbert, era cantora gospel. Hattie era a caçula dentre seus 13 irmãos.

O Sr. Henry MacDaniel serviu como soldado no Exército da União durante a Guerra Civil Americana ( Buffalo Soldiers - ver abaixo nesta página). A família viveu em Fort Collins, no Colorado, cuja casa existe ainda hoje.

Estudando na 'Escola Franklin, em 1910, aos 15 anos de idade, Hattie participou de um concurso intitulado 'Women's Christian Temperance Movement', e foi a primeira afro-americana a ganhar medalha de ouro. Recitou um poema de sua própria autoria intitulado "Convict Joe". Ao ganhar esse prêmio, se convenceu que queria se tornar uma artista, e decide abandonar a escola, no segundo ano do ensino médio, para viajar pelo país com o grupo de músicos formados por seu pai e os irmãos Otis e Sam.

No grupo musical da família, Hattie atuava como vocalista e compositora. O grupo iria se desestruturar em 1916 com a morte do irmão Otis, e teve de aguardar até 1920 para voltar a cantar. Neste mesmo ano, Hattie atuou na peça teatral 'Melody Hounds', de George Morrison, e recebeu ótimas críticas.

McDaniel foi uma das primeiras mulheres afro-americanas a cantar no rádio. Em 1925, McDaniel começou a cantar na KOA, uma estação de rádio em Denver. Seu trabalho como cantora de rádio levou-a a gravar várias canções, das quais a maioria ela mesma tinha escrito, viajando em várias turnês pelo país.

A 'Theatrical Owners Booking Association', uma associação de negros donos de teatro, é quem arrajava a maioria dos papéis para Hatie atuar no teatro, porém, com o Crack da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929, a empresa fechou suas portas, complicando a vida de vários atores negros na época. À partir desse momento, o único trabalho que McDaniel conseguiu arranjar foi o de atendente num banheiro do Club Madrid, em Milwaukee, numa boate de pessoas brancas. Apesar de saber que McDaniel era uma boa cantora, o dono da boate temia deixá-la cantar. Certo dia, McDaniel foi convidada a se apresentar no palco, e se tornou uma das principais atrações da boate.

Em 1931, McDaniel se mudou para Los Angeles com os irmãos Sam, Etta e Orlena. Quando não conseguia papel em filmes, ela trabalhava como empregada doméstica ou cozinheira. Sam trabalhava num programa de rádio chamado The Optimistic Do-Nut Hour e conseguiu uma aparição para sua irmã no programa. Hattie tornou-se extremamente popular, virando uma estrela de rádio, mas seu salário era tão pequeno que ela tinha de continuar trabalhando como empregada. No início da década de 1930, conseguiu vários papéis em diversos filmes, no entanto, seu nome não aparecia nos créditos da maioria deles.

A competição para o papel de Mammy foi quase tão acirrado quanto o de Scarlett O'Hara. Eleanor Roosevelt escreveu para o produtor do filme, David O. Selznick, para pedir-lhe que o papel fosse dado à sua própria empregada. McDaniel não achou que o papel iria ser dado a ela, pois era mais conhecida como atriz cômica. Clark Gable queria que o papel fosse dado para ela, e quando Hattie foi fazer o teste vestida num uniforme de empregada, Selznick percebeu que tinha achado sua Mammy.

Hattie atuou em papéis principais nos filmes 'Saratoga' e 'The Mad Miss Manton' antes do lançamento de …E o Vento Levou. Sua performance em In This Our Life de 1942, também é muito lembrada por sua interpretação dramática de uma dona de casa negra cujo filho é acusado injustamente por um atropelamento.

Os papéis que aceitava pra atuar, sempre como serviçal, lhe renderam longas críticas dos afro-americanos nos anos 40, sobretudo da NAACP (National Association for the Advancement of Colored People ). Diziam eles que Hattie atendia ao racismo dos brancos ao aceitar tais papéis em que negros não poderiam ter outra visibilidade que não esta, acusando-a de reforçar esteriótipos negativos. Hattie respondeu tristemente às críticas com as seguintes palavras: "Uma mulher negra, e empregada doméstica, não pode se dar ao luxo de desperdiçar um trabalho. Atuando como empregada doméstica, serviço este que faço desde sempre, ganho em algumas horas o que ganharia em meses de trabalho pesado. Prefiro atuar como empregada doméstica por
US $ 700 por semana, que ser uma por US $ 7 por semana."

Hattie MacDaniel disse que não compareceria na festa de estréia de "... E o Vento Levou" por não estar se sentido bem. Clark Gable, seu colega de elenco, suspeitou que ela não tivesse sido convidada por conta do racismo e se recusou a comparecer na festa caso ela não fosse. Hattie acabou convencendo-o a comparecer na festa, pois um dia este fato viria à tona, naquele momento, era melhor que ela não fosse. Gable compareceu à festa, mas fez questão de protestar nas entrevistas sua indignação e tristeza pelo racismo contra ela. "Ela é uma pessoa cujo respeito que eu gostaria de ter", disse Gable.

Ao ganhar o Oscar, Hattie MacDaniel seria o 1º intérprete negro a comparecer à cerimônia como convidada, ao invés de serviçal. Mesmo assim, não esteve livre do racismo, Hattie e o seu marido, amargaram mais uma humilhação racial durante a cerimônia do Oscar; ambos tiveram que se sentar no fundo da sala, em uma mesa só para eles, longe de todos os outros vencedores e membros da Acadêmia. Durante os conflitos raciais, na década de 60, Hattie doou sua estatueta a 'Howard University', mas ela terminou sendo perdida e nunca mais foi encontrada.

McDaniel faleceu aos cinquenta e sete anos de idade, no hospital da Casa para os Artistas de Cinema e Televisão, em Woodland Hills; sua herança somava um pouco menos que dez mil dólares. Vários fãs apareceram no local para relembrarem a vida e as conquistas da atriz.

O racismo, literalmente falando, a perseguiria até a sepultura, pois o desejo de Hattie era ser enterrada no Cemitério de Hollywood, juntamente com alguns de seus parceiros do cinema, mas o dono, Jules 'Jack' Roth, se recusou a permitir que uma negra fosse enterrada em seu cemitério. Então, Hattie veio a ser enterrada no Cemitério Angelus Rosedale, em Los Angeles.

Em 1999, Tyler Cassity, o novo dono do Cemitério de Hollywood, que mudou o nome deste para Cemitério Hollywood Forever, queria consertar os erros do passado e propôs à familia de McDaniel que ela fosse enterrada no cemitério. Os parentes de McDaniel não quiseram perturbar os seus restos após tanto tempo, e acabaram recusando a oferta. Então, o Hollywood Forever decidiu construir um grande memorial no campo em frente ao lago, dedicando-o a McDaniel. É, hoje, um dos lugares mais populares para os visitantes do cemitério.

McDaniel também foi membro da Sigma Gamma Rho, uma das quatro fraternidades norte-americanas que usam as letras gregas em seu nome e são dedicadas a pessoas negras.

Curiosidades:
- Hattie serviu de inspiração para a empregada que aparece nos desenhos de Tom & Jerry, que é sempre focalizada da cintura para baixo.
- Possui uma estrela na Calçada da Fama, localizada em 1719 Vine Stree.
- Quando McDaniel morreu de câncer de mama em 57, 3000 enlutados compareceram ao seu funeral, e 125 limusines acompanharam seu corpo para Rosedale.

Momento da entrega do Oscar à Hattie McDaniel
http://www.youtube.com/watch?v=e7t4pTNZshA

Fontes:
findagrave
http://www.findagrave.com/cgi-bin/fg.cgi?page=gr&GRid=1367
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AdoroCinema
http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-71723/biografia/
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NAACP
http://www.naacp.org/