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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Estudo demonstra que negros não constituem nem 20% dos autores da literatura brasileira

Mesma tendência segue o cinema nacional.  Produção negra, com autores e personagens negros, tem pouco crescimento ao longo de décadas.




Nos anos 60/70 houve um grande fluxo de importantes autores negros, que publicavam os mais variados textos, inclusive, romances e documentos políticos para a organização do povo negro em torno de suas reivindicações.

Visando quantificar a questão, em período recente, a pesquisadora Regina Dalcastagnè acaba de lançar um livro pela Editora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) que visa abordar o problema da participação do negro na literatura brasileira, nos últimos 10 anos.

Em 2004, Regina, que é professora da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Grupo de Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, deu início a um mapeamento quantitativo dos personagens e autores na produção literária nacional.

Naquele tempo, os números confirmavam uma suspeita: havia poucos negros e pobres na literatura brasileira. O grupo de pesquisa leu 258 romances escritos por 165 autores entre 1990 e 2004. E com o auxílio de fichas, a equipe chegou à conclusão de que 78,8% dos escritores brasileiros são brancos, e 72,7%, homens.

As narrativas por eles apresentadas repetem quase que como um espelho a autoria dos textos. Naquele estudo, em 71,1% dos romances pesquisados, os protagonistas são homens e, em 56,6%, representam a classe média.

Neste momento, a pesquisadora se prepara visando à terceira e última etapa do trabalho. Dessa vez, serão analisados os romances publicados entre 2005 e 2014. A lista de 300 livros está pronta e os colaboradores já deram início às leituras. Será uma análise detalhada da geração 2000, na qual Regina já observa algumas particularidades.

Ela acha que “que o número de mulheres vai aumentar, mas não será tão significativo quanto as pessoas estão pensando. Tenho a expectativa de que tenha aumentado um pouco em relação aos 27,3%, mas não muito”, avalia.

Contudo, com relação à participação dos negros, a pesquisadora acredita que não deve haver um progresso significativo. “Tenho esperança de que vem aumentando, só que mais lentamente que a situação das mulheres. É um longo processo”.

O negro no cinema

Outra pesquisadora, Paula Lins, tomou o mesmo parâmetro de pesquisa, mas o fez em cima da produção do cinema nacional, no período de 1996 até 2006. E os resultados foram praticamente os mesmos.

Lins analisou 211 filmes nacionais e 841 personagens criados por 139 diretores. Desses, 82% eram homens e apenas 18%, mulheres. Nos papéis centrais diante das telas, no quesito origem social e raça, refletem o panorama literário com 82,3% dos personagens brancos e 70% de classe média.
A exclusão do negro da produção cultural é um reflexo da realidade objetiva de racismo na qual o povo negro vive.

Sem as condições de nem mesmo cursar o ensino superior, os negros certamente terão maiores obstáculos para produzir cultura, especialmente por ser uma área do conhecimento que demanda tempo e recursos para sua realização.

Da mesma forma, as grandes empresas do ramo, tanto as editoras e os estúdios de cinema, não fazem a menor questão de colocar um negro como personagem central de um filme, ou subsidiar a produção de um autor negro, muito pelo contrário, como nos informam as pesquisas.

A balança só tende a mudar com a organização e luta do povo negro, de maneira independente da burguesia. E esse é o fato que explica o boom de escritores negros nos anos 1970, quando diversas organizações e coletivos de negros estavam na ofensiva, lutando por seus direitos.

Fonte: http://www.pco.org.br/negros/estudo-demonstra-que-negros-nao-constituem-nem-20-dos-autores-da-literatura-brasileira-mesma-tendencia-segue-o-cinema-nacional/aooa,y.html