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terça-feira, 30 de abril de 2013

Recessão aumentou abismo econômico entre brancos e negros nos EUA




DO NEW YORK TIMES 

WASHINGTON - Milhões de americanos perderam riqueza desde a crise de 2008. Mas a situação ficou pior para famílias de negros e hispânicos, ampliando o abismo entre os brancos e as minorias, de acordo com um novo estudo do Urban Institute.

— Já estava ruim — disse Darrick Hamilton, professor da New School, em Nova York, sobre a diferença de riqueza entre as famílias negras e brancas. — Ficou ainda pior.
A partir de 2010, o ganho das famílias brancas, em média, era de cerca de US$ 2 para cada US$ 1 das famílias de negros e hispânicos — relação que se manteve mais ou menos constante nos últimos 30 anos. Mas, quando se trata de riqueza — em ativos, como a poupança, casas e aposentadoria, e dívidas, como hipotecas e saldos de cartão de crédito —, as famílias brancas já ultrapassaram de longe as de negros e hispânicos.

Antes da recessão, as famílias brancas eram, em média, cerca de quatro vezes mais ricas que as famílias de não-brancos, de acordo com o estudo do Urban Institute, feito com base nos dados do Federal Reserve, o banco central americano. Em 2010, os brancos eram cerca de seis vezes mais ricos.

Pelos dados mais recentes, a família de brancos média tinha cerca de US$ 632 mil em riqueza, contra US$ 98 mil para famílias de negros e US$ 110 mil para as de hispânicos.

— A diferença de riqueza racial está profundamente enraizada em nossa sociedade — disse Caroline Ratcliffe, que está entre os autores do estudo. — Está aqui, não vai embora, e nós precisamos nos preocupar com isso.

Muitos especialistas consideram a disparidade de riqueza mais perniciosa do que a diferença de renda, uma vez que perpetua de geração em geração e tem um efeito poderoso sobre a segurança e mobilidade econômica.

Os jovens negros são muito menos propensos do que os brancos a receber uma grande soma de seus pais ou outros parentes para pagar a faculdade, iniciar um negócio ou fazer um pagamento em uma casa, por exemplo. Isso, por sua vez, faz as suas perspectivas de construção de riqueza mais frágeis à medida que avançam na idade adulta.

Dois fatores principais contribuíram para ampliar esta disparidade de riqueza nos últimos anos. A primeira é que a crise imobiliária bateu mais pesado em famílias negras e hispânicas do que em famílias brancas. Muitas famílias hispânicas jovens, por exemplo, compraram casas quando a bolha imobiliária estava inflando e atingindo seu auge, deixando-os sobrecarregados com pesadas dívidas, ao mesmo tempo em que os preços das casas caiam em lugares como o subúrbio de Phoenix e do interior da Califórnia.

Famílias negras também foram mais atingidas porque o colapso do setor habitacional constituiu uma proporção maior de sua riqueza do que as famílias brancas. Maiores taxas de desemprego e rendimentos mais baixos entre os negros deixou-os menos capazes de continuar a pagar as suas hipotecas e mais propensos a perder suas casas, disseram especialistas.

Já os fundos de aposentadoria de famílias negras também sofreram mais, segundo o Urban Institute. O montante que as famílias negras pouparam encolheu 35% entre 2007 e 2010, enquanto as contas de famílias brancas ganharam 9%. Com salários mais baixos e taxas de desemprego mais elevadas, as famílias negras ficaram mais propensos a sacar os recursos quando o mercado estava deprimido.
— As reservas para emergências são muito pequenas em ‘comunidades de cor’ — afirmou Tom Shapiro, diretor do Instituto de Ativos e Política Social na Universidade Brandeis.

Algo semelhante pode estar acontecendo com a recuperação do setor de habitação.

— Algumas pessoas falam em apropriação de terras — disse Hamilton, da New School, com uma maioria de investidores brancos comprando casas retomadas por falta de pagamento.

No total, as famílias hispânicas perderam 44% de sua riqueza entre 2007 e 2010, estima o Urban Institute, e as famílias negras perderam 31%. Famílias brancas, em comparação, perderam 11% de sua riqueza.