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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Fragmentos da primeira infância:




Minhas lindas, irei compartilhar com vocês pedaços e fases marcantes da minha vida. Trechos dessa 'rodovia tortuosa' que venho percorrendo a quase 40 anos.


Fragmentos da primeira infância:

Nasci sob o estigma comum da criança preta com rejeição paterna, sem um sobrenome em documentos, assim nascia Renata da Silva Ribeiro em 10 de Outubro de 1973, portadora de má formação genética denominada *'SITUS INVERSUS TOTALIS'.
Cresci sabedora de várias impossibilidades e barreiras, muitas quase que folclóricas...kkk...mas eu indefesa acreditava. 
Na escola nada podia fazer, nem educação física...sic, pular corda, amarelinha!?...nem em sonho; eles achavam que eu cairia dura, estatelada a qualquer momento - essa é a parte do 'folclore'.
Sabe como é: criança, menina, preta e a mãe sem muito juízo; me tornava presa fácil aos 'homens/namorados' que frequentavam a casa, fui livre por Deus e só por Ele, de várias tentativas de abuso, sorte minha sempre ter sido sagaz e boa corredora...kkk.
Mesmo não tendo a tal paternidade reconhecida, era visitada com frequência pelo meu 'pai' nos finais de semana, tenho até recordações muito breves, mas boas; sabe como é o cara era preto, lindo, alto, másculo, forte, mais duas famílias e com um certo padrão financeiro, enfim não sobrava muito tempo para quem não era seu interesse real: eu e depois meu irmão do meio.
Quando eu tinha 8 anos, ele faleceu.
Aos 11, quando se pensava que nada poderia piorar, minha avó também morre e a vida que era enrolada, desceu ladeira abaixo, saímos de pobres para miseráveis, perdemos tudo, passamos a morar de favor na casa de 'amigos e familiares', que expulsavam uma adulta e suas crias, igual cão invasor de terreno alheio.
Depender dos outros, porque era além do precisar, foi doloroso, sofrível...horrível.
Nessas mesmas casas onde eramos abrigadas, quase era violentada e, ninguém acreditava em mim: tem sempre um 'senhor escravocrata modernoso' buscando uma 'cunhã' virgem, para que a deflore e se orgulhe dessa desgraça.
E assim, foram passando os anos: de uma casa confortável de 3 quartos para casa de terceiros, depois casebres em favelas e morros, aprendendo a carregar e equilibrar água em lata de 20lts, depois em balanças (2 latas, penduradas em um cabo de vassoura), resto de feira e sobras das casas, de alimentos, roupas e sapatos que muitas vezes nem cabiam em mim, mas era o jeito...
Me lembro que nem tinha 15 anos e minha coluna já era torta...
Aos 13 já trabalhava, tomava conta de uma criança que aprendeu a me chamar de mãe, imagina andava na rua com ela, de pela alvíssima, com medo de pensarem ser 'sequestro'...kkk...verdade e ela me chama de mãe até hoje.
Essa foi minha infância estranha, mas igual a de tantas meninas que conheci e vejo por ai, infelizmente não se protege quem é o futuro...e porque haveria esse interesse em proteger um futuro preto!?...Cegueira tem limite, e o racismo velado está escancarado ai prá quem quiser ver...
Aquele cheiro,

Renata Ribeiro








To be continued: Adolescência!?...não tive!