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domingo, 9 de junho de 2013

'Na boca do lobo, o cordeiro foi devastado'


#Parte I

O lobo/marido/algoz, 10 anos a frente, cheio de malícia, casado com uma virgem; na primeira noite as núpcias que deveria ser de sonho, romance e carinho, foi praticamente um estupro onde aquela víbora se satisfez, usou, abusou e lambuzou-se até que sangrasse minha carne e minha alma!Não houve nada que ele houvesse me poupado, com o discurso de: - agora você é minha!
E assim me tornei a 'propriedade', sempre aflita, sempre temerosa, acoada igual bicho, porque nada o satisfazia nem a roupa lavada e passada, ou o alimento preparado; tudo era motivo para gritos e meu medo de futuras agressões era tamanho que cedia, sempre.
Aos 19 anos engravido do primeiro filho, gestação de alto risco devido a má formação genética - já citada anteriormente - filho gerado sem 'pai', só eu o desejava mais do que tudo nessa vida e em quantas outras tantas vidas houvessem, eu o queria, seria um motivo para ser feliz; finalmente!
Gerei meu filho, sem nunca ter recebido um só carinho ou afago que fosse na barriga, nem o 'sentir o bebê' interessava, era como se estar ali fosse não estar, minha serventia era 'ser do lar', proibida de cortar o cabelo que era na altura da cintura muito negro e liso a poder de henê, magra de pernas grossas e seios fartos, engordei mais de 20 e tantos quilos perdendo a 'forma' da qual ele se orgulhava da 'sua novinha', tive depressão pré-parto.
Pari meu filho, graças a Deus altamente saudável, parto normal e rápido sem sofrimento; mas ainda assim dando ao 'marido' o primogênito macho nem assim meu valor de 'mercado das esposas eficientes' aumentara, as humilhações e desprezo eram as mesmas...sic.
Passados 1 ano e 8 meses nascia minha segunda e derradeira filha, mais uma vez gestação de altíssimo risco, pressão alta e depressão mais alta ainda, nasceu de parto cesáreo a bonequita saudável, minha carga genética não atingira aos bebês. Rejeitei minha filha, depressão pós-parto grave, não suportava olhar a criança a quem chamava de criatura, estava insana, a beira da loucura, sem apoio do tal 'marido', de família...Havia sido abandonada a minha própria sorte, cuidei dos meus próprios pontos, cuidando da casa e de dois bebês.
Quando comecei a me recuperar psicologicamente, havia percebido o que ele havia feito com a minha vida: me afastado do mundo, dos amigos, da minha família torta, nem a chave da minha casa eu tinha; passava dias e dias trancada dentro de um apartamento, nem eu nem as crianças tomávamos sol, saídas eram controladas, me tornara cativa.
21 anos, estava gorda - 45/50kgs a mais de depressão e nem comia; desleixada, tomar banho, pentear cabelo, fazer unhas para quê!? Não havia sentido, nem razão de ser, meu mundo era vazio, eu era vazia, NÃO EXISTIA somente era a mãe dos filhos e mais nada!
Fui sendo ruida, destruída aos poucos, a morte lenta me buscava: não lia mais, não ouvia música; a única canção que era ouvida no meu 'lar fictício' eram choros de crianças e gritos do tirano.
Aproveitando o parto da segunda gestação, fiz laqueadura - cortei as trompas, hormônios ficaram loucos e em cima dos 45/50kgs foram acrescidos mais unas 20kgs, era o meu fim, eu me odiava, não ME OLHAVA NO ESPELHO, era subjugada...quem frequentava minha cama e me possuía, após se satisfazer e se lambuzar me olhava e dizia palavras carinhosas: - Tenho vergonha de você, ou olha o lixo que você é, ou levanta e se lava e volta, ou abre as pernas, ou pára de chorar e faça sua obrigação de mulher! Prazer não havia, com ele não conheci!
No meu lar a rotina era essa: pratos jogados na parede, pela comida 'não satisfatória', meu filho diversas vezes fora arremessado contra a mesma parede, um bebê de 2/3 anos, a menina sacudida até vomitar, porta trancada - não podiam ver a mulher obesa do cara esbelto e mulherengo que dava o telefone de casa a todas as 'sujas/sujeitas' de rua, que nem de longe imaginavam do que aquele 'cavalheiro' que abria as portas de carros era capaz em casa.
E assim os anos foram-se indo e meu cativeiro junto; as crianças cresciam e minha doença quase que mental se mantinha, a depressão me consumia, eu não conseguia tomar as rédeas da minha vida.
Ele o 'maurido', isso mesmo MAU-rido, conseguiu me dar a última punhalada: teve um filho fora de casa; com uma mulher linda: pele morena, cabelos negros lisos, corpo definido, parecia modelo, puxada final de tapete com direito a mata-leão na queda seguida de asfixia, morte certa.
Na noite daquele dia, não sei como meu deu um 'click' e despertei, comecei a quebrar a casca do ovo com meu bico, quebrar minha redoma, pingar óleo nas ferrugens da engrenagem...ali começava minha auto-salvação! Arrombei a porta do apartamento, não me pergunte como, mas fiz! Vi a luz do dia e respirei a vida da rua, lembro que meus filhos choravam compulsivamente de medo do vai e vem dos carros, mas saí sem destino e vaguei por um dia inteiro, até que voltei não havia para onde ir...mas alguma coisa em mim HAVIA MUDADO.
E quanto a essa 'mudança inicial' semana que vêm a gente conversa, muitos anos não caberiam de uma vez aqui.
Aquele cheiro,
Renata Ribeiro


To be continued: 'Afinal quem eu era!?, o que eu havia me tornado e o que eu desejava me tornar!?'