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terça-feira, 2 de julho de 2013

Danny Glover foi no Programa do Jô. Rá rá!

Por: Alessandra de Mattos
Preta&Gorda
 
Estava eu ontem no silêncio da minha casa, ouvindo meu som e navegando no Facebook, quando uma amiga me informa que o ator Danny Glover, seria entrevistado no Programa do Jô.  Glover, que é casado com a professora universitária brasileira Eliane Cavalleiro e embaixador da Boa Vontade para o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, está no país para participar de um movimento, que visa defender os direitos dos trabalhadores americanos que não têm representação sindical nos Estados Unidos, e que formam uma campanha mundial para denunciar as práticas antissindicais da montadora Nissan.
 
Eu, odeio a Rede Globo com todas as minhas forças, né? Acho que todo mundo sabe disso. Principalmente o Jô Soares que adora fazer piadinha racista, preconceituosa como bom funcionário global que é. Mas, resolvi assistir.
Muita gente pode pensar que se trata de exagero da minha parte, mas me lembro muito bem quando a lindíssima Ellen Oléria esteve naquele palco, e o Jô fez o grande favor de ser extremamente desagradável, com piadinhas racistas, tais como chamar o Derico de "Careca-descendente" (Uma óbvia alusão ao termo Afro-descendente), apresentar bananas durante a entrevista já que o assunto era beber leite de Macadâmia que a Ellen disse que adorava, além de o apresentador voltar a fazer "brincadeiras" veladas com o termo afro-descendente ao dizer que ele, Jô Soares, não era gordo e sim "gordo-descendente". Pra mim, não houve a menor dúvida de que ele estava ali no papel de racista cordial que é, tentando desmoralizar a guerreira que estava a frente dele. Felizmente, Ellen não desceu do salto, foi belíssima, super simpática e se mostrou superior a todo o ataque racista.
Só que diante disso e de inúmeros outros fatos/críticas que sempre tomo conhecimento a respeito do Jô e suas piadas infames, me deixou satisfeita por saber horas antes que Danny esteve com ativistas do movimento negro em São Paulo, o que me deixou bem mais aliviada por saber que possivelmente já o tinham alertado acerca da emissora e principalmente do programa.
 
A entrevista foi belíssima. Danny super bem articulado em seu discurso, falou sobre os manifestos (embora eu já tenha minha opinião formada sobre eles) no Brasil: “Pelo que ouvi e entendi da dinâmica que está acontecendo, acho que as manifestações são uma parte muito importante da maturidade democrática do país”, disse o ator. Falou sobre o desafio de se eliminar a pobreza no mundo, o que considera um dos principais desafios para o século 21. “Com tanta riqueza e tecnologia que temos, agora é o momento de distribuirmos essa riqueza. Precisamos salvar a humanidade e esse lugar frágil chamado planeta Terra também”. E é claro, a minha parte preferida: Da necessidade de se criar projeções midiáticas no cinema e na TV. Disse entre outras coisas, que a necessidade do negro não é ser visto apenas em comerciais de TV. É também ser visto em rodas de conversa onde se dialoga e se resolve questões importantes para o seu próprio desenvolvimento. Uma crítica sutil a não representatividade descente do negro na televisão brasileira, em plena Rede Globo!
O que tornou cômica a entrevista foi a desfaçatez do Jô Soares. Em toda a entrevista ele se mostrou totalmente ‘por dentro’ das nossas questões tanto aqui como nos EUA, ao ponto de citar exemplo de como se faz o culto a falsa democracia racial neste país, analisando a forma que o brasileiro tenta justificar seu discurso racista e desmentir o seu próprio racismo, dizendo que tem N amigos negros. Grande ator, esse Jô Soares. Querendo passar uma postura antirracista, defensor e admirador da causa. Só acreditou naquilo quem é tão racista quanto. Tsc!



Em sua visita a favela de Heliópolis, Danny e seu grupo constataram alguns fatos:


(trecho extraído de Rede Brasil Atual)
 “‘Percebemos que no Brasil as pessoas têm superado as próprias expectativas diariamente”, afirma Glover, referindo-se ao nível de consciência política e social dos homens e mulheres da comunidade: “Moradia e educação de qualidade para nossos filhos não são um privilegio, mas um direito. Vocês estão mudando a realidade e o rosto do Brasil’...
...José Marcelo da Silva, morador da favela e representante da Ação Comunitária Nova Heliópolis, disse que os moradores das periferias não vivem, são “sobreviventes” e que, se o país ainda vive uma situação de desigualdade, ela é ainda maior quando se trata de negros e pobres. “Atualmente, ainda buscamos a legalização de terras para moradores na área de urbanização da comunidade”, afirma. Heliópolis, numa uma área de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados, é a segunda maior favela de São Paulo...”.
 
 
Mesmo com toda desfaçatez do Jô, valeu a pena ter assistido! Muito me orgulha ver pretos empoderados vindos de qualquer parte do mundo!
4P!