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terça-feira, 27 de agosto de 2013

EUA avaliam história recente 50 anos depois do discurso de Martin Luther King

Por: AFP - Agence France-Presse


Os americanos vão refletir sobre as conquistas da sua história recente na semana de comemoração do 50º aniversário da marcha de Washington, liderada pelo pastor negro Martin Luther King.

Cerca de 150 mil pessoas vão se reunir no sábado no National Mall, em Washington, para relembrar o evento pelos direitos civis em que King fez seu discurso histórico "I have a dream" ("Eu tenho um sonho"), no local onde fica o monumento ao presidente Lincoln.

Na quarta-feira, dia do aniversário, os sinos das igrejas de todo o país vão soar, enquanto o presidente Barack Obama, primeiro afro-americano a ocupar a Casa Branca, discursará da mesma escadaria.

Muitos outros eventos estão programados para todo o país, dando aos americanos a oportunidade de rever as conquistas alcançadas no campo das relações raciais e perceber que ainda há muito a ser feito.


"Eu sempre disse que já tivemos importantes avanços neste país, mas acreditar cegamente que nosso trabalho está terminado seria, no mínimo, ingênuo", disse o pastor e ativista dos direitos civis Al Sharpton, um dos organizadores do evento de sábado.

"Se este ano nos ensinou alguma coisa, foi que os objetivos da marcha de 1963 não foram plenamente alcançados", disse Benjamin Jealous, presidente da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor, uma das organizações que lutam pelos direitos civis mais antigas do país.

"O direito ao voto é atacado, o desemprego dos negros continua a subir, milhares de crianças negras vivem em bairros pobres e frequentam escolas segregadas e jovens negros são mortos todos os dias em atos de violência sem sentido".

Cerca de 250 mil pessoas chegaram ao National Mall em 28 de agosto de 1963 cantando "Equality Now!" ("Igualdade Já") e "We Shall Overcome" ("Venceremos"), no evento conhecido como Marcha de Washington pelo Trabalho e a Liberdade.

Milhões de pessoas acompanharam a marcha pela televisão, incluindo o presidente John F. Kennedy, que, até então, havia protelado a promoção de leis que pusessem fim à segregação racial nos estados conservadores do sul do país.



King, então com 34 anos, foi o último palestrante do dia. Seu discurso traria uma frase célebre, que ficou gravada na história: "Eu tenho um sonho de que um dia esta nação se levantará e tornará real o verdadeiro significado de seus princípios: 'Acreditamos que estas verdades são evidentes: que todos os homens são criados iguais'".

Três meses depois, Kennedy foi assassinado e King também foi morto por um franco-atirador em Memphis, no estado do Tennessee, em abril de 1968.

Mas a marcha abriu caminho para a Lei de Direitos Civis de 1964, que proibiu as formas mais gritantes de discriminação racial, seguida, um ano depois, pela Lei de Direitos Eleitorais, destinada a garantir esses direitos a todos os cidadãos americanos negros.

O futuro dessa lei foi colocado em dúvida depois de a Suprema Corte pedir ao Congresso, no início deste ano, para rever uma importante seção da regra de controle federal das práticas eleitorais, principalmente nos estados do sul.

Os afro-americanos, que representam 14,2% da população, de acordo com o escritório responsável pelos censos, continuam a ficar para trás em termos socioeconômicos, apesar do surgimento de uma classe média negra forte.

O desemprego de 12,6% dessa comunidade, registrado em julho, é o dobro da média nacional e a renda média de uma família negra é apenas dois terços da renda geral.

Por outro lado, o nível de pobreza dos negros caiu em meio século de 41,8% para 27,6%, apesar de continuar sendo muito maior do que a média geral, que é de, aproximadamente, 15%.

O Serviço Nacional de Parques, que administra o National Mall, emitiu uma autorização para que 150 mil pessoas participem da marcha deste sábado em Washington, que os organizadores chamam de Ação Nacional, para resgatar o Sonho.

Martin Luther King III, filho do célebre pastor, vai participar do evento, juntamente com Sharpton, o procurador-geral Eric Holder e a família de Trayvon Martin, o adolescente morto no ano passado na Flórida por um segurança de bairro, que acabou sendo absolvido das acusações.


No evento de quarta-feira, chamado de Marcha para o Trabalho e a Justiça, vão participar os ex-presidentes Bill Clinton e Jimmy Carter, assim como o atual mandatário do país, Barack Obama, que é criticado por algumas pessoas por não ter usado todos os recursos que estavam à sua disposição para resolver as questões pendentes em um país em que a raça ainda é uma questão que divide.


Fonte: EM