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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Raízes - Por Isabel Corrêa

Socializando com vocês, minhas bonecas pretas, o poema "Raízes", da irmã Isabel Corrêa. Este poema faz parte da coletânea publicada no livro "Por um instante", lançado na Bienal do Livro em 2007

Confiram:


Raízes.


 Trago no corpo a marca dos açoites
Que me assolaram séculos sem fim!
Trago feridas não-cicatrizadas
E tantas outras dores dentro em mim!
Inda ouço o chiar da brasa incandescente
Ao tocar minha pele em castigo indecente!
Quantas noites sonhando acordada
Com o dia em que seria libertada!
Meu corpo traz a ginga dos escravos
Que carregam na voz a rima pura,
Rima de dor, tristeza, de saudade.
Rima de fome, luto e impunidade.
Tristeza de ver totalmente sufocadas 
A vontade, a cultura, a liberdade...
No entanto trago o orgulho de ser negra, 
De ajudar a construir essa nação!
Não existe mais tempo pra lamúrias!
Não há mais tempo pra lamentações!
A hora é de luta contra o preconceito,
De conscientização dentro do peito!
Minh'alma traz o brilho das estrelas
Que abriram seu espaço em noite escura.
Esse brilho que carrego nunca apaga,
Dele procede toda minha energia
Pra lutar, pra viver com valentia
Minha raízes com toda ousadia!
 
 (Isabel Corrêa)