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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

USP investiga suposto caso de racismo envolvendo alunos da Poli

Wadmir Barros, de Cabo Verde, foi agredido por atletas de basquete da Poli.
Diretoria da Faculdade Politécnica admite agressões, mas nega racismo.


  Um suposto caso de racismo contra um estudante de música de Cabo Verde em uma quadra esportiva está sendo apurado pela Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária da Universidade de São Paulo, de acordo com a assessoria de imprensa da própria USP. As agressões ao aluno Wadmir Abreu Alves de Barros partiram, na noite do dia 12 de agosto, de jogadores da equipe de basquete da Escola Politécnica da USP, a Associação Atlética Acadêmica Politécnica (AAAP).

A diretoria da Escola Politécnica, por meio de comunicado, confirmou o incidente envolvendo os alunos da faculdade, mas negou o suposto racismo. O presidente da AAAP, Victor Torcioni Nunes, também confirmou, por meio de carta à superintendência da USP, as agressões, mas também negou as acusações de racismo. O G1 tentou entrar em contato por meio de mensagem eletrônica, mas Wadmir Barros não atendeu a solicitação para uma entrevista.

 Segundo a Diretoria da Escola Politécnica, “o ocorrido foi oriundo da exigência de uso da quadra de esportes no horário reservado aos alunos da Escola Politécnica, sem conotação racial alguma”. Os alunos envolvidos no episódio foram orientados a elaborar um boletim de ocorrência, enquanto que a diretoria se responsabilizou por informar do ocorrido “as autoridades responsáveis pela segurança universitária”
Assinada por José Roberto Cardoso, diretor da Escola Politécnica da USP, a nota finaliza: “A Escola Politécnica pratica a cultura da paz e repudia qualquer ato violento de natureza racista ou de outra ordem. Independentemente das justificativas apresentadas, o fato será apurado por comissão competente e eventuais culpados serão punidos”.

O presidente da AAAP, por sua vez, relatou em sua carta à superintendência dois episódios distintos envolvendo os integrantes da equipe de basquete. No dia 12 de agosto, “os atletas chegaram à quadra 01 do Cepeusp (Centro de Práticas Esportivas da USP), para a qual já haviam feito uma reserva com antecedência para utilização dela no período do ocorrido”. No local, já se encontrava o estudante de música jogando basquete.

Os atletas, então, teriam pedido para que ele se retirasse, em cumprimento às regras, já que tinham feito a reserva com antecedência. De acordo com os relatos dos alunos da Poli, Wadmir se recusou a sair. Um dos jogadores, então, jogou para longe da quadra a bola e, por isso, teria sido agredido em seguida pelo estudante de música. Os demais jogadores reagiram e agrediram o estudante africano. De acordo com Victor Nunes, “outros atletas da equipe e membros da comunidade do CEPEUSP, felizmente, conseguiram apartar a briga”.


Protesto


Já no dia 19 de agosto, a equipe de basquete voltou à quadra para realizar mais um treino, mas no local já se encontrava um grupo de 25 pessoas, que teria tentado impedir o treinamento como forma de protesto pelas agressões a Wadmir, de acordo com a carta do presidente da AAAP.


“Após um longo período de discussão que envolveu membros do time de basquetebol, da AAAP, da Guarda Universitária, do CEPEUSP e colegas do Sr. Wadmir, sentimo-nos acuados e saímos do recinto para evitar qualquer novo atrito”, relata a missiva.

Ao terminar, Victor Nunes fez questão de deixar claro que não houve, “em momento algum, qualquer ato racista partindo dos atletas e membros da AAAP, sendo as acusações neste sentido totalmente infundadas” e que “repudia veementemente, não só atos racistas, como qualquer outro de natureza discriminatória”.

De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital Universitário da USP, Wadmir Barros deu entrada às 23h do dia 12 e teve alta às 7h do dia 13 de agosto. Segundo a assessoria, ele passou por avaliações clínica e ortopédica.

Fonte: G1