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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Ciclo da vida

Bisavó para com minha avó > limitava o estudo; Estudar não leva a nada.
Avó para minha mãe > ciclo. Estudar não leva a quase nada; Favoreceu o trabalho.
Mãe para comigo> rompimento. estudar é minha única salvação; Ela não estudou, então deposita em mim essa força de que, com o estudo, a pessoa cria-se asas para se ir mais longe. Interessante, pois antigamente minha mãe me colocou na escola e não teve tempo de estudar. hoje eu a coloco na escola, sabendo que é algo bom, e retribuído um feito.

Por Tiago Dias, para +Preta Gorda 

Pus minha mãe para a escola,

mas a patroa dela não deixou.


Ela ficou furiosa e disse que não precisava,

e em seu semblante presenciava que ela não queria perder aquela empregada. 


Em teus argumentos ela dizia “ nada com nada”, só mero desdém e grandes falácias.



-Felizmente dona, minha mãe quer viver; estudar, ser alguém, e ver a sua sabedoria crescer.



A dona branca de olhos claros ficou furiosa com aquela resposta, fechou a porta em nossa cara sem ao menos desejar-nos uma boa ida para a escola.



Infelizmente não há troca de poder quando o que está no poder não quer ver o outro crescer.

Enquanto isso, eu não ligo. Se faltar poder, eu pulo as barreiras e agito. Na minha condição de: preto, favelado, pobre. Definitivamente as minhas condições são mínimas, pelo menos aquelas que nos foram dadas e negadas. Não há mais tempo, esperar pra quê? Não se pode mais engolir, agora, temos é que cuspir. É hora de agir, criar discernimento e nos desacorrentar. Ouvir falácias não me satisfaz, ouço as mesmas e penso logo naqueles tempos atrás. Tempos de luta e resistência; preto sofrendo com feridas que não isenta. 


Pra mim, eles me deram o mínimo. Querem que eu compre, use, consuma, enriqueça-os; mas quando eu quero criar discernimento crítico, estudando, eu sou devidamente limitado. Criam-se barreiras. E, esse direito quase sempre nos é negado.


Tirei o fardo, no entanto, sou protegido pelos meus ancestrais. Tenho o poder nas mãos de resistir como eles resistiram lá atrás. Porém, não quero só resistir, quero tomar espaço que me foi tirado, quero combater o pecado – que me oprime desse lado. 


A dona dos olhos claros negou minha mãe de ter visão, mas minha mãe não lhe deu atenção. Agora, ela estuda e vai se formar com emoção e satisfação.



Nesta hora, atabaque canta e meus ancestrais dançam. Mais um preto vivendo resistindo e servindo o poder de querer ser.