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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Racismo não é senso comum e não existe democracia racial.

Por: Alessandra de Mattos, para +Preta Gorda 




A maior prova de que existe racismo no Brasil, é a quantidade de moradores de rua espalhados nas grandes metrópoles, a maioria (senão todos) pretos. Homens, mulheres, crianças, adolescentes, velhos... Todos com uma carga enorme nas costas, de descaso social e governamental.

Aqui no Rio de Janeiro, em especial, pode-se perceber que somos rodeados por favelas, um grande amontoados de casas de todos os tipos e formatos, em locais com nenhum saneamento básico e nenhuma infraestrutura decente para abrigar seres humanos com suas famílias. 

Virou 'cult' visitar favela, né? Estrangeiros sobem o morro, para fotografar a dinâmica dos formatos e tamanhos do aglomerado de casas umas sobre as outras, sem saber (ou sabendo sim) que esta estrutura representa o lugar onde o sistema BRANCO RACISTA diz exatamente onde e como pretos e brancos devem viver.

E conviver também. Porque mesmo um preto ascendendo da favela pra 'pista', não consegue encontrar na nossa doce sociedade, o aconchego e respeito que todo cidadão necessita para viver. Sim, somos marginalizados mesmo quando enriquecemos. 

O Presidente dos EUA, Barack Obama, domina uma potência, mas há quem o chame de "aquele criôlo lá". O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, é uma das pessoas mais poderosas e influentes do Brasil. Contudo, é desmoralizado com 'piadas' racistas, charges racistas o comparando a macaco, e tem seu caráter sempre posto à prova todos os dias, sempre que possível. Os motivos são bem simples: não foi dado nunca a um preto direito de exercer poder sobre o homem branco e seu sistema. O lugar do preto, sempre foi na subalternidade, e quem ousa ultrapassar essa barreira, merece ser castigado.

O homem preto, tem sua integridade física e moral violentada desde que atinge os primeiros anos de idade. Não importa, necessariamente o que ele faz, ou fez. Muita das vezes não fez nada. Contudo, existe uma rede branca formada por "cidadãos de bem", que desumaniza todo e qualquer indivíduo preto, não importando se ele está ou não envolvido com a criminalidade.

Ora, pode-se dizer que entre envolvidos em criminalidades, estão os brancos e os pretos. Pois esta, se dá por desvio de conduta e não por quantidade de melanina, ao contrário do que se pensa. Trata-se de uma burrice coletiva, aceitar que um branco, engravatado, roube milhões, seja julgado, condenado (raramente) e passe a cumprir pena domiciliar, enquanto que um preto sequer vai a julgamento. É jogado numa cela com mais outros detentos, todos eles igualmente pretos e, em algumas vezes, sem ter cometido nenhum crime. Apenas por se parecer criminoso.

Ou é espancado e acorrentado nu, no meio da rua, a um poste, tal como na escravidão.



Será que alguns dos doutores brancos, se fossem espancados e amarrados pelo pescoço em praça pública, nus, e se fosse um preto o agressor, seria justo para com ele?

Bom, seguramente posso afirmar que não haveria a mesma conotação.

A demonstração da doença racista, de toda sociedade brasileira, é facilmente identificada pela fatia jornalística da mesma. Em especial, falamos da jornalista Raquel Sheherazade, que teve o despautério de incentivar a cultura de ódio, já estabelecida entre as pessoas e combatida freneticamente por coletivos negros espalhados pelo país.



Trata-se da visão escravocrata de alguém que nem de longe entende sobre humanismo.

A "opinião" da repórter do SBT, usando como respaldo a liberdade de expressão, foi uma nítida campanha a favor do genocídio do povo preto. Apoiar o 'esculacho' feito sobre o rapaz, o espancando, e o amarrando com um prendedor de bicicletas pelo pescoço (sim, porque houve o apoio!), foi a prova factual de que a sociedade não extinguiu de seu pensamento e de seu comportamento as idéias opressoras em relação a todos nós. 

Trata-se do branco castigando o preto, punindo-o para manutenção da ordem e paz de cristãos cidadãos de bem. 

Creio que não se faz necessário dizer, mas direi: não se trata do que o rapaz fez para a sociedade carioca. Não se trata do quanto ele tenha roubado. Trata-se exclusivamente de se questionar em que medidas existe a tão falaciosa democracia racial neste país. Qual o verdadeiro papel da justiça e se o povo preto de fato, encontra respaldo na mesma. 


Comecei a ler esses dias "Racismo e Sociedade", do Carlos Moore, e logo no primeiro capítulo ele enfatiza o mito da democracia racial. De como o racista se estrutura utilizando desta ilusão, para que atos como este ocorrido aqui mesmo, no Flamengo-RJ, não passe de 'mero mal entendido'. A 'democracia racial existe com o intuito único de não tornar legítima qualquer denúncia contra o racismo. Ela protege o racista. Protege o sistema racista. Permite que não tenhamos representatividade nas grandes mídias televisivas, nas revistas, nos desfiles, em cargos importantes em grandes empresas, e que tudo no final das contas não passe de mero acaso.

Estratégia. E tem gente que cai. 

Vamos lembrar que o caso do Amarildo foi ano passado. Não tem que ser esquecido. 

Contra o genocídio do povo preto. Lutemos. 4P.