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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Mulheres negras empreendedoras falam sobre negócios e políticas públicas

Palestras, exposições e apresentações culturais integraram a programação do evento
 Por: Gustavo Rozario.
Proprietária da Loja Preta Pretinha, Antonia Joyce, resolveu apostar num sonho de infância. Quando criança, ela e suas irmãs não se reconheciam nas bonecas: loiras, brancas e com cabelos lisos. Os ensinamentos da avó, que sempre trabalhou a autoestima da família e que começou a fazer bonecas de pano na cor preta e marrom, estavam guardados num compartimento da memória afetiva e foram acionados na hora certa. “Os erros cometidos no meu negócio anterior fizeram com que buscasse o apoio do Sebrae e, dessa vez, elaborei um plano de negócio, fiz pesquisa de mercado, divulguei o trabalho no boca-a-boca. Já são 15 anos fazendo bonecos com traços marcantes e lancei uma linha de bonecos da inclusão”, afirmou a empreendedora paulista, que participou do Seminário Mulher, Negra e Empreendedora, nesta quinta-feira, 21, no Hotel Fiesta, em Salvador.
Palestras, exposições e apresentações culturais integraram a programação do evento que buscou debater o mercado empreendedor no segmento, destacando os avanços e dificuldades, dentro da perspectiva socioeconômica. As participantes tiveram acesso a relatos de empresárias negras que são reconhecidas no mercado, às oportunidades de negócios para as micro e pequenas empresas nas compras governamentais e discutir as políticas públicas para as mulheres negras.
O superintendente do Sebrae Bahia, Edival Passos, defendeu que o seminário é o ambiente ideal para troca de experiências e para pensar políticas específicas para o gênero,  a exemplo do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que destina uma linha de crédito específica para as trabalhadoras rurais. “As mulheres negras deveriam dispor de incentivos neste sentido. Os estudos e as pesquisas demonstram que ela é tão importante quanto o homem, do ponto de vista da produção econômica”. Ainda segundo Edival, no Brasil, 52% dos empreendimentos iniciais com até 42 meses de existência são femininos.
Também presente no evento, a secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Vera Lúcia Barbosa, disse que é preciso haver um alinhamento entre poder público e instituições parceiras, para que essas mulheres sejam capacitadas e possam ser incentivadas a empreender e a buscar seu espaço no mercado de trabalho. “As mulheres negras estão mais no trabalho privado, doméstico, e muitas ainda atuam na informalidade. Eventos como este ajudam a fazer com que a autoestima da mulher negra se eleve e esta busca incessante pelo empreendedorismo possa ser reafirmada a cada dia”.
João Alvarez - ASN Bahia
Empresárias puderam expor seus produtos no local do eventoEmpresárias puderam expor seus produtos no local do evento
Para a coordenadora nacional da Rede Kôdya, Ana Placidino, é preciso combater esse modelo de desenvolvimento baseado na escravização, fortalecendo a autoestima e buscando uma cultura de preservação do patrimônio cultural. “Será a empregada doméstica a última fronteira desse sistema? Existem inúmeros desafios que precisamos enfrentar, a exemplo da superação do estereótipo da boa aparência, equiparação salarial, acabar com a violência doméstica e o racismo institucional. Quando falamos em mulher, negra e empreendedora, é preciso lembrar que esse país viveu 388 anos sobre a égide da escravização e nós sofremos por sermos mulheres, negras e pobres”.

A consultora do Sebrae Bahia, Tatiane Badaró, apresentou as oportunidades de negócios geradas a partir da implementação da Lei Geral nos municípios, especialmente para empresas de micro e pequeno porte, microempreendedores individuais e na agricultura familiar. “O objetivo é potencializar a participação desses fornecedores para o poder publico. A lei simplifica, favorece e beneficia pequenas empresas através da desburocratização, nas compras públicas e no que concerne à tributação, além da possibilidade de acesso a novos mercados e a linhas de crédito com taxas diferenciadas”.
De acordo com a coordenadora do Programa Agenda Bahia do Trabalho Decente da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Patrícia Lima, o perfil das empresas evidencia que as mulheres ainda são minoria  nos espaços de poder e decisão nas empresas. “É importante perceber que mesmo com toda evolução na discussão ainda há uma naturalização da ideia de que as atividades familiares são de responsabilidade da mulher. É necessário que haja um reconhecimento institucional que este problema existe para que sejam pensadas estratégias que garantam igualdade de oportunidades e de tratamento. Não é qualquer trabalho que interessa”, argumenta.

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