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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Eu, homem preto e meu cabelo crespo.




Por: Andresso Agostine.


De uns tempos para cá eu comecei a me questionar, o por que quando eu era criança eu tinha que cortar meu cabelo? Por que eu nunca pude usar ele da forma natural? Eu lembro que quando criança toda vez que era época de cortar o cabelo e minha mãe me levava para o barbeiro, eu chorava, chorava mais ainda quando o cara começava a passar a máquina na minha cabeça, mas não era um choro de dor, mas sim um choro de incomodo. Eu como um garoto preto e morador da favela, sempre via muitos meninos negros nas mesmas condições que eu, e com isso a minha vontade de não cortar o cabelo cada dia mais aumentava. Os anos se passaram eu cresci, mas aquela coisa imposta na minha vida ainda permaneceu, para que eu pudesse me sentir bem, bonito e aceitável para a sociedade eu tinha que cortar o meu cabelo e fazer a minha barba. De repente eu me questionei: Por que em uma entrevista de emprego onde tem um homem negro e um branco lutando pela mesma vaga o homem branco pode ter seu cabelo e eu como negro não posso me expressar da mesma forma? Quem disse que o cabelo dele é melhor que o meu? Por que o ‘’estilo’’ dele é mais aceitável que meu? Com isso eu me dei conta que a lavagem cerebral feita pelo sistema foi tamanha, que fez com que eles tirassem de mim o direito de ser quem realmente eu sou, eles tiraram o meu direito de me empoderar daquilo que sempre fez parte de mim. De acordo com a sociedade o cabelo crespo é feio, sujo, fede... e etc.. Durante anos eu não tive o direito de me olhar no espelho e ver como realmente eu sou, isso foi tirado de mim. Ter cabelo crespo dentro de uma sociedade racista, não é moda, é sim um ato político. Cada dia que passa tenho me amado e me aceitado cada vez mais, meu black está crescendo e com isso a minha responsabilidade dentro dessa sociedade só aumenta, temos que ensinar nossas crianças que ter cabelo crespo é lindo, temos que mostrar para nossos meninos e meninas que ser negro/a não é ser inferior a ninguém. Amem-se, aceitem-se e empoderem-se daquilo que um dia foi tentado tirar de nós, nossa identidade!! Ubuntu!