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Uma origem africana da Filosofia mito ou realidade? Molefi Kete Asante

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Por:  Molefi Kete Asante   Tradução de Marcos Carvalho Lopes Existe uma crença comum entre os brancos de que a filosofia se origina com os gregos. A ideia é tão comum que quase todos os livros sobre filosofia começam com os gregos, como se eles precedessem todos os outros povos quando se trata da discussão dos conceitos de beleza, arte, números, escultura, medicina e organização social. Na verdade, esse dogma é hegemônico nas academias do mundo ocidental, incluindo as universidades e academias africanas. É mais ou menos assim:     A filosofia é a maior de todas as disciplinas.   Todas as outras disciplinas se derivam da filosofia.   A filosofia é uma criação dos gregos.   Os gregos são brancos.  Portanto, os brancos são os criadores da filosofia.    Na perspectiva desse dogma, outros povos e culturas podem contribuir com o pensamento, como os chineses – Confúcio -, mas  pensamentos não são filosofi...

Taís, e nosso racismo de cada dia.

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Por: Thais Garandy  Semana passada, a página da atriz Taís Araújo foi invadida por alguns comentários de cunho racista, a maioria dos autores desses comentários como:  “Cabelo de esfregão”, “Já voltou pra senzala?”, “Entrou na Globo pelas cotas”, “Negra escrota”  estão escondidos atrás de um perfil falso, mostrando o nível de covardia de um racista , a atriz deu sua resposta e avisou que levara seu caso para polícia federal. O caso repercutiu em todas as redes sociais fazendo com que os fãs da atriz criasse a hastag: #SomosTodosTaísAraujo , repetindo assim o caso da Maju ( jornalista que foi alvo de comentários racistas na sua fanpage) e outros famosos. Foi um dos assuntos mais comentado do momento, mostrando que a empatia que o brasileiro tem por PRETO E RICO chega a ser comovente, se Taís Araújo que é protagonista de uma série da Rede Globo em horário nobre não consegue escapar do racismo, imagina a preta, pobre, mãe solteira e empregada...

UMA MENSAGEM PARA MINHAS IRMÃS

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Por: Assata Shakur Tradução: Gilza Marques Tradutores Negros Julho/2015 (tradutoresnegros@gmail.com) Texto original disponível em: http://www.assatashakur.org/ Nesse momento eu gostaria de dizer algumas palavras especialmente para minhas irmãs. IRMÃS, O POVO NEGRO NUNCA SERÁ LIVRE A MENOS QUE AS MULHERES NEGRAS PARTICIPEM DE CADA ASPECTO DA NOSSA LUTA, EM TODOS OS NÍVEIS DA NOSSA LUTA1 . Eu acho que as mulheres Negras2 , mais do que ninguém na face da terra, reconhecem a urgência da nossa situação. Porque somos Nós3 que ficamos, diariamente, face a face com as instituições de nossa opressão. E porque somos Nós que temos tido a maior responsabilidade de criar nossas crianças. E somos Nós que temos que lidar com os sistemas de assistência social que não se importam com o bem-estar das nossas crianças. E somos Nós que temos que lidar com os sistemas educacionais que não educam nossas crianças. Somos Nós que temos que enfrentar as professoras racistas que ensinam nossas crianç...

Quando parei de mandar beijos

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Por: Taís Espírito Santo Num dia qualquer uma pessoa me mandou beijos e eu retribui com um aceno e um sorriso meio amarelado; em outra ocasião aconteceu uma cena parecida: despedindo de uma amiga, ela me manda um beijo de longe e eu retribuo do mesmo jeito, um aceno meio sem jeito e um sorriso mais sem graça ainda. Isso me soou tão nada a ver tão sem lógica. Ao mesmo tempo em que eu queria retribuir o beijo eu não conseguia. Parecia que alguma coisa em mim travava e reparei que fazia e faço isso sempre. Estou lendo um livro que fala sobre os traumas, os acontecimentos de infância que nos fazem serem os adultos de hoje, aproveitei o ensejo e essa memória recente desses fatos corriqueiros para praticar esse exercício. Pensei, analisei, tentei recordar a minha relação com meus amigos da escola, minha família, enfim tudo. Queria porque queria responder a uma pergunta que estava me rondando: quando parei de mandar beijos? Simples assim. Sabe quando uma pessoa manda beijo p...

Eu, homem preto e meu cabelo crespo.

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Por: Andresso Agostine. De uns tempos para cá eu comecei a me questionar, o por que quando eu era criança eu tinha que cortar meu cabelo? Por que eu nunca pude usar ele da forma natural? Eu lembro que quando criança toda vez que era época de cortar o cabelo e minha mãe me levava para o barbeiro, eu chorava, chorava mais ainda quando o cara começava a passar a   máquina na minha cabeça, mas não era um choro de dor, mas sim um choro de incomodo. Eu como um garoto preto e morador da favela, sempre via muitos meninos negros nas mesmas condições que eu, e com isso a minha vontade de não cortar o cabelo cada dia mais aumentava. Os anos se passaram eu cresci, mas aquela coisa imposta na minha vida ainda permaneceu, para que eu pudesse me sentir bem, bonito e aceitável para a sociedade eu tinha que cortar o meu cabelo e fazer a minha barba. De repente eu me questionei: Por que em uma entrevista de emprego onde tem um homem negro e um branco lutando pela mesma vaga o homem branco p...

O padrão estético de beleza como ferramenta racista.

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Por: Alê de Mattos, da Preta&Gorda. Olho pra trás, minha infância e adolescência e parece que revivo o drama de ser uma menina preta, de cabelos crespos, com corpo cheio de formas e curvas, que não se via nem na TV, muito menos na sociedade da qual fazia parte. Olho minhas fotos dessas épocas e percebo o quão cruéis as pessoas são e de como esse sistema branco com seus padrões e medidas perfeitas, nos distancia de nossa autoestima. Eu não era gorda. Nunca fui. Hoje sou, mas não era. Mas me via como se de fato fosse o tal mostro que todos diziam que eu era.  Essa sensação era somente minha. Guardava pra mim. Mas ao mesmo tempo, era muito complicado perceber que meu cabelo jamais seria tão lisinho como o da Xuxa e das Paquitas e que meu corpo jamais seria esguio o suficiente para parar de ser olhada e analisada tão agressivamente pelas pessoas.  Compreendemos perfeitamente que hoje, em pleno 2015, ainda sobrevivemos a práticas genocidas de uma supremacia b...